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Texto Pesquisa 21 Diogo Fernandes e Branca Dias Eram um bom exemplo donos do Engenho de Camaragibe-PE. Por sua vez, Branca Dias possuiu um casarão que está localizado na área do Zôo de Dois Irmãos. Branca Dias Com uma existência entre história e lenda, considerada uma das heroínas do Brasil Colonial e de Pernambuco, Branca Dias foi, no Brasil do século XVI, a primeira mulher portuguesa a praticar «esnoga» (frequentava a A Sinagoga Portuguesa de Amsterdam), a primeira «mestra laica de meninas» (1ª Professora do Brasil) Ensinava meninas a fazer rendas, costurar, fiar, bordar e limpar a casa. Assim sustentava a numerosa família. e uma das primeiras «senhoras de engenho». Branca Dias nasceu em Viana da Foz do Lima, Portugal, possivelmente em 1515. Seu marido, Diogo Fernandes, conseguiu terras às margens do rio Camaragibe, na Capitania de Pernambuco, onde instalou um engenho para produção de açúcar. Nesta época, a produção de açúcar dos engenhos era mantida principalmente pela exploração de trabalho escravo negro e indígena. Submetidos a trabalhos forçados, os escravos participavam do plantio da cana-de-açúcar ao transporte do produto final aos navios que o levavam para a Europa. Devido à extrema exploração, a mortalidade entre os escravos era sempre elevada e sua vida média limitada. Antes de acompanhar seu marido, Branca Dias, que era cristã-nova, foi denunciada à Inquisição, por sua mãe e irmã (possivelmente intimidadas), de manter secretamente práticas judaicas, algo então proibido em Portugal. Admitindo a acusação, e recebendo as penas dos inquisidores, foi liberada em 1545. Em 1551, já estava no Brasil, para onde veio com seus filhos, talvez desobedecendo as leis que usualmente limitavam o deslocamento de condenados pela Inquisição. Depois da morte de Diogo Fernandes, o engenho declinou. Branca Dias e suas filhas, abriram em sua casa à rua Palhares, em Olinda, Pernambuco, uma escola de prendas domésticas para meninas. Após sua morte, possivelmente em 1558, voltou a ser denunciada, desta vez por suas alunas, aos inquisidores que visitavam a cidade. Seus descendentes vieram a ser processados e uma de suas filhas, Brites Fernandes, admitiu práticas judaicas. Em Branca Dias de Apipucos, de 1879, a autora Joana Maria de Freitas Gamboa, em 1879, situa Branca Dias no episódio da Guerra dos Mascates (1710-1715). Outros afirmam que ela tenha vivido na Paraíba, onde há uma loja maçônica, fundada em 1918, com seu nome. Outras obras abordando a vida de Branca Dias são, Livro de Branca Dias, de 1905, de José Joaquim de Abreu; e O Santo Inquérito, peça teatral de Dias Gomes. A Acusação do Santo ofício rezava: “mãe de sete filhos entre machos e fêmeas, todos de pouca idade, um deles aleijado…” fora condenada como judaizante em Portugal. A acusação dizia: lavava a casa, trocava a roupa de cama, preparava-se para o Sábado quando vestia suas melhores roupas. Também não trabalhava neste dia (Mello, 1996). Perseguida pela Inquisição Branca veio ou fugiu para o Brasil. Por volta de 1545 viveu com seu marido Diogo Fernandes,no Engenho de Camaragipe, em Pernambuco. Com a primeira visitação do Santo Ofício ao Brasil, em finais do século XVI, filhos e netos de Branca Dias são presos sob a acusação de reconversão ao judaísmo e enviados para Lisboa, para onde terão seguido igualmente, presume-se, os ossos de Branca Dias, a fim de serem queimados no Rossio em auto-de-fé. Sua história é cheia de nuances: da infância no Minho à velhice em Olinda, a sua prisão em Lisboa, a existência perturbada no engenho de açúcar, o levantamento da casa grande de Camaragibe e da casa urbana da rua dos Palhares (ainda hoje existentes), o convívio com Duarte Coelho, primeiro capitão donatário do Pernambuco, a morte de Pedro Álvares da Madeira, comido pelos tupinambás, o candomblé dos escravos pretos, os terrores de uma nova geografia e uma nova fauna, o martírio do povo miúdo português no Novo Mundo. No processo nº 5736 do Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, consta que Branca Dias, casada com o mercador Diogo Fernandes e filha de Antônio Afonso e Violante Dias, é cristã-nova, natural de Viana e moradora em Lisboa. Acusada de judaísmo, ela foi sentenciada, em 12 de setembro de 1543, a abjuração pública, dois anos de cárcere e hábito penitencial, ficando reservada a sua comutação e dispensa. Branca Dias apresentou uma petição ao Santo Ofício, em que pediu dispensa do tempo que lhe faltava cumprir, tendo sido a mesma concedida, talvez em razão de ter filhos pequenos para criar. Sua mãe e a irmã Isabel Dias foram presas na mesma época. Elas eram naturais de Viana da Foz do Lima, onde moravam. No processo nº 5775, datado de 2 de abril de 1544, consta que Violante Dias foi ao auto-de-fé em Lisboa, e Isabel Dias foi sentenciada a abjuração pública, 2 anos de cárcere e hábito penitencial; reservada a comutação da penitência quando parecesse serviço de Nosso Senhor. Após meio-século, a Inquisição voltou a processar a família de Branca Dias, depois que ela se mudou para o Brasil. No processo de nº 4580, do Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, sua filha Beatriz Fernandes, a Alcorcovada, natural de Viana de Caminha e residente em Pernambuco, foi acusada de judaísmo. Presa em Olinda a 25 de agosto de 1595, ela foi sentenciada, em 31 de janeiro de 1599, a ir ao Auto de Fé, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuo, penitências espirituais, além do confisco de bens. Em 3 de agosto de 1603, Brites (ou Beatriz) de Sousa e sua mãe Andresa Jorge, outra filha de Branca Dias, nascidas e residentes em Pernambuco, também foram sentenciadas, nos processos nº 4273 e 6321, respectivamente, a ir ao Auto de Fé; abjuração de veemente; cárcere a arbítrio; penitências espirituais; pagamento de custas. Nessa mesma data, Briolanja Fernandes, filha de Diogo Fernandes e Madalena Gonçalves, uma das criadas de seu pai, foi sentenciada em Auto de Fé realizado na Ribeira, em Lisboa, com as penas de ir ao Auto de Fé em corpo, com uma vela acesa na mão, onde abjure de veemente suspeita na Fé, tenha cárcere a arbítrio dos inquisidores, tenha penas e penitências espirituais, instrução na Fé e pague as custas. Ela foi solta dos cárceres a 6 de Setembro de 1603. Fonte: FATEADAL |
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